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Relacionamento: Continuar ou Terminar?

Atualidades

Não é novidade que um grande grupo de pessoas de diferentes faixas etárias, mas principalmente os jovens, evitam a busca por um compromisso sério, seja ele namoro ou casamento, uma relação.

As pessoas (de uma forma geral) estão focadas em seus desejos pessoais, ao invés da busca de relações estáveis, duradouras e significativas, mas por quê?

Retrospectiva histórica

Para entendermos um contexto é necessário olharmos de um ponto de vista histórico. Até aproximadamente a década de 70, era colocado a nós através da religião, da política, e da mídia, alguns valores diferentes dos de hoje. Tais como:
- O jovem começava a trabalhar desde cedo, em sua grande maioria antes de completarem 18 anos de idade.
- Ao assumir um compromisso era necessário a prestação de respeito à família, ou seja, o casal normalmente prestava satisfações à família da menina por essa ainda ter seus pais como responsáveis.
- Após a união física e religiosa, o casamento, o casal assumia sua vida como uma nova família.
- A religião era vista e imposta de uma forma diferente.
- As informações passadas pela mídia não tinham fontes infinitas e de fácil acesso como hoje. O conteúdo de informações era outro.

Comparativo aos dias atuais

- O jovem, exemplificando um tradicional classe média, buscará estudar o máximo e prolongado tempo possível para que na maior idade consiga usufruir de melhores possibilidades de trabalho. Isso se dá pela mudança do mercado, a globalização, a necessidade de profissionais melhores capacitados a cada dia que passa para qualquer que seja sua função. Sendo assim, o indivíduo por muitas vezes continua na casa dos pais ou responsáveis mesmo após a maior idade sem ao menos trabalhar. Isso de um ponto de vista psicossocial mudaria por completo as características de seu desenvolvimento comparado as gerações anteriores.
- O jovem assumi e deixa de assumir compromissos da mesma forma que troca de roupa. O acolhimento pelos responsáveis é maior, e a cobrança da sociedade de um comportamento ético, honrado e sincero é menor. Consequência das mudanças políticas, religiosas, e da própria mídia. Lembrando que esses se adaptam para ganhos financeiros e não em prol do desenvolvimento da humanidade.
- A estrutura familiar mudou por completo. Novos conceitos foram aceitos, sendo assim, possibilidades se abriram, podendo o livre arbítrio ser expresso de inúmeras maneiras diferentes.

Outros exemplos de comparações e mudanças

- Antigamente, se uma menina engravidasse deveria essa casar-se com o pai da criança. Tal procedimento era comum para a época. Hoje, se uma menina engravida, por algumas vezes não sabe nem quem é o pai, e por outras em situações de relacionamentos estáveis, tem a opção de escolher o que pretende fazer dali à diante em relação ao seu conjugue/namorado. Essa diferença se dá pelo simples fato que as gerações anteriores cobravam uma postura de adulto para comportamentos de grande amplitude, como ter um filho. Até mesmo o julgamento crítico e a censura eram muito fortes. Hoje, na maioria das famílias, você pode engravidar jovem ou passar por qualquer outra situação, que provavelmente será acolhida de uma forma ou de outra. Pode-se justificar por vermos no nosso dia-a-dia através da própria televisão que isso é comum. Para os homens o peso da atitude não é diferente. Quantos rapazes, pais jovens, se omitem da moça/mãe, e até mesmo do filho após uma situação dessa?
- O homem era visto dentro de uma sociedade machista como provedor. Independente de suas aptidões, deveria logo cedo aprender a executar atividades para gerar renda, tendo essa envolvimento técnico especializado ou não. Hoje, pela mudança no mercado de trabalho entre outros fatores, o homem passa anos buscando especializar-se em algum tipo de prestação de serviço. Processo que por muitas vezes é feito enquanto mora com os pais ou com alguém que seja responsável pela sua vida, independente da sua idade.


Desenvolvimento Biopsicossocial

Poderíamos fazer um debate extenso e com ilimitados argumentos comparando essas mudanças, essa "evolução", mas gostaria de trazer o texto para o ponto de vista psicológico. Por enquanto abordamos assuntos sociais, mas e o desenvolvimento como um todo, o desenvolvimento biopsicossocial?

Se o conhecimento é maior e as informações são de fácil acesso, bem como as oportunidades são infinitas, por que valores se perdem?

O ser humano por natureza tem a tendência de adaptar-se. Com os diferentes meios de comunicação de hoje, é possível criar um comportamento padrão e divulgá-lo dentro de uma cultura pela mídia. Instintivamente o indivíduo tenta fazer parte desse padrão, mas por muitas vezes terá que negligenciar suas reais vontades, desejos, características pessoais, e valores para que isso ocorra. É natural que algumas pessoas consigam realizar essa "tarefa" com mais facilidade que outras.

Dentro de um mundo onde o valor está voltado para o "eu" de uma forma doentia, diferente da maneira necessária e saudável de cuidar de sí acima de tudo, os relacionamento estão se perdendo.

Pessoas que não buscam o relacionamento

Várias pessoas conduzem seus dias um após o outro ignorando esse tema. Vivem sozinhas, participam de vários grupos sociais, por muitas vezes sem intimidade com os mesmos, e são felizes. É uma opção. O ser humano tem a opção de escolher o que é melhor pra si de acordo com suas essências. Isso ocorre por essa pessoas ter se frustrado no passado com outras relações? É possível. É comum ter medo que experiências passadas se repitam, mesmo porque o ser humano tem uma tendência natural à repetição. É possível que nada tenha acontecido e a pessoa prefira estar sozinha? É possível.

Não sou uma pessoa religiosa, mas sou apegado a Deus no sentido amplo da palavra como uma energia universal. Creio que existe algo além de nós, e respeito o desconhecido nesse sentido espiritual e enérgico, independentemente de sua abordagem. Por muitas vezes me pergunto, se fomos criados como ser pensante, incrível, entre homens e mulheres, onde os gêneros possuem habilidades diferentes e aptidões diferenciadas, será que não seria benéfico aprender com as relações conjugais? Aprender com as diferenças? Pois a verdade é que ninguém nos preenche como alguns jovens apaixonados dizem, mas nos agregam, acrescentam, estimulam, colaboram, proporcionam. Por isso pessoas se frustram ao projetar necessidades pessoais em seus parceiros, ao invés de buscá-las dentro de si.

O Relacionamento: Quando continuar ou Qual a hora ideal para terminar?

Com todas essas mudanças e essa "nova" realidade, é possível ter um bom relacionamento sim. Os costumes podem mudar, as crenças podem se adaptar, os valores podem ser diferentes, mas o ser humano continua sendo o ser humano.

Quem conhece, já teve, ou está em uma relação, que existe amor, carinho, respeito, amizade e compaixão, sabe que é uma das relações mais ricas em todos os sentidos possíveis de se descrever, tal como uma relação de pai para filho, ou de filho para pai. Independente do valor, quando "escolhemos" uma pessoa para compartilhar toda nossa vida diante toda nossa existência, essa pessoa torna-se sua família mesmo não tendo seu sangue. 

Acho que existem alguns tópicos que podem ser pensados e trabalhados em uma relação: 

1º - Respeito

Sem ele não é possível caminhar ao lado de alguém. O primeiro respeito é o respeito próprio. Aquele que você tem conhecimento de suas virtudes e seus DEFEITOS, para que assim possa entendê-los e respeitar suas capacidades e seus limites. Isso fará com que você consiga lidar melhor com uma crítica, uma opinião diferente, ou uma desaprovação.

E há o respeito pelo outro. Esse deve ser trabalhado de forma incondicional. Opiniões podem ser diferentes, brigas podem existir, erros podem acontecer, mas nunca se deve esquecer que é importante respeitar seu conjugue, pois em determinado momento da sua vida você quis compartilhar a mesma com ele.

2º - Humildade

É óbvio que ao se relacionar com outra pessoa você terá habilidades e potenciais melhores em determinadas áreas do que seu conjugue, assim como ele.

Considero extremamente importante ser humilde com suas aptidões e suas facilidades. Através da humildade é possível trazer o outro para perto de si. Você consegue dar espaço para que esse aprenda com você, compreenda seu ponto de vista, e elabore o seu próprio. Se isso for imposto de uma forma rude, prepotente, ou arrogante, provavelmente terá um efeito contrário. Você pode inibir a pessoa que mais deseja acolher. Pode ofender sem nem mesmo perceber.

Um olhar de uma pessoa humilde enxerga além do que os olhos podem ver e os sentidos podem captar. É um fator de mudança claro que ajuda o ser humano a "crescer". Considerando um casal, a humildade pode ser a base de uma estrutura sólida dentro de uma relação.

Ser humilde ao se expor nem de longe passaria perto de estar se diminuindo, ou não se dando ao valor. Você não se dá ao valor apenas pela forma como quer demonstrar o que acredita e defende. Isso é racionalizado. Você se da ao valor pela sua essência, por aquilo que vem antes mesmo da própria elaboração do raciocínio.

3º Compaixão

Não há como mensurar a importância de estar aberto para acolher seu parceiro. Quando estamos em uma relação é claro que nos apegamos e depositamos algumas necessidades em nosso conjugue. Você saber que será acolhido e compreendido diante as aventuras da vida é uma sensação que só aproximará um casal.

4º Sinceridade

Seja sincero. Sim, sincero ao ponto que a maioria das pessoas não acredita que seja possível. Palavras não tem sentidos por porcentagem. Ninguém é 70% sincero. Seja sincero. Não esconda nada. Isso não significa não ter uma vida particular. Você pode respeitar uma particularidade de um amigo para não o expôr, uma situação de um parente, isso é comum, mas seja sincero. Faça com que seu conjugue saiba que sua palavra tem mais valor do que qualquer outra que ele e já conheceu até então. Não há nada como poder conversar com alguém sem precisar ficar com um "pé atrás".

5º Confiança

Nada mais é do que a consequência da sinceridade e de boas condutas. Confiança não se dá nem se pede, ela se conquista. Ao decorrer de várias situações um parceiro irá conhecendo o outro, e conforme as coisas forem caminhando a confiança se torna um dos alicerces da relação. Para saber se você pode confiar em alguém precisará acreditar, precisará se expôr, precisará arriscar. Cada ser humano é único. É único em cada relação que têm, sendo assim, o comportamento de uma pessoa com um amigo pode ser completamente diferente de um comportamento com o conjugue.

6º Ceder

Ceder. Uma das habilidades que observo em meu consultório que é difícil para a maioria desenvolver. O grande segredo para aprender a ceder é conhecer a si próprio. Saber que ao aceitar algo que você não acredita, por exemplo, você não está se humilhando, deixando de se valorizar, ou sendo feminista, ou machista, mas sim, estará lhe dando a oportunidade de entender que se propôs a compartilhar sua vida. Se é algo tão importante para a pessoa que quer constituir família, deve ser aceito, ou pelo menos ouvido, ou no mínimo respeitado. Você não precisa desvalorizar suas crenças para poder conversar sobre uma outra diferente.

7º Intimidade

Nunca esqueça que trata-se de uma relação. Sua namorada, seu namorado, sua esposa, seu marido, é seu melhor amigo e seu único amante. É nele que você irá depositar seus desejos, suas fantasias, e se realizar. Não esconda-os. Usufrua disso. Abuse. Sendo específico, se tratando de intimidade sexual. Creio que a única coisa mais gostosa do que se relacionar com uma outra pessoa e sentir prazer de todas as formas que lhe agradam, é fazer o mesmo com quem você ama e compartilha sua vida.

Conclusão

Independente da época em que vivemos, dos valores atribuídos à nossa cultura, somos seres incríveis, pensantes e dignos. Somos capazes de fazer nossas próprias escolhas e desenvolver o melhor para nossa vida e para vida do próximo.

Pessoas estão perdendo tempo demais tentando super valorizar suas particularidades e seus conceitos, se achando o centro único da verdade do universo. E a verdade é que o ser humano é um ser sociável por natureza. Quanto maior sua maleabilidade, melhores as possibilidades de crescimento.

Existem vários fatores que podem colaborar para que uma relação continue. O que é preciso saber, é se ambas as partes estão dispostas a desenvolver essas características, melhorando os pontos fracos, e usando os fortes em prol do casal. Creio que em quanto duas pessoas caminharem dispostas em um mesmo sentido será possível continuar, mesmo que você não tenha as características descritas no texto. Esteja disposto a desenvolvê-las de maneira única, e desenvolver outras característica suas, singulares, que possam lhe ajudar e ajudar as pessoas que deseja por perto.

A partir do momento que você prefere pensar que a pessoa é uma dúvida na sua vida, talvez seja a hora de reavaliar essa relação. Quando há um laço real, a pessoal se torna parte da sua vida, o pensamento de afastamento e término é extinto enquanto a vivência se mantem saudável, mantendo-se apenas o interesse por melhoras e um desenvolvimento em busca de soluções e adequações.

Boa sorte aos casais, e boa curtição aos solteiros, afinal, somos únicos, e cada um de nós se sente mais feliz de alguma forma única.


Julio Furlaneto
Psicólogo Clínico

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