AMIZADE QUE SE DESFAZ COM O TEMPO

A amizade é um dos conceitos mais bonitos da nossa sociedade. Ela pode surgir dentro da própria família, mas se faz comum entre pessoas das mais distintas culturas sem esse vínculo.




Normalmente se diz que é como escolher um irmão não de sangue, mas penso que vá além disso. Na amizade há a troca afetiva genuína sem nenhuma ‘obrigação’ social de vínculo familiar prévio. Você escolhe uma ou mais pessoas por infinitas variáveis para partilhar os momentos mais significativos da sua vida. 

Só que é preciso estar atento para não confundir as coisas. Existem pessoas que você conhece ao decorrer da vida que têm gostos em comum. É uma pessoa que te faz bem para tomar uma cerveja, sair ou trabalhar, porém, não necessariamente se torna uma amizade. Podemos chamar de colega ou companheiro.

Muitos desses vínculos são destruídos pela carência. O vazio interno cria um desespero em estar com pessoas e forçar alguma intimidade que não existe, ou até mesmo idealizar um vínculo mais profundo em algum sentido que na prática não é real. Esse é um caminho que normalmente leva a dor e frustração.

Mas quando se constrói uma verdadeira amizade é como encontrar a alma gêmea em um relacionamento íntimo. Não há nenhum conto de fadas ou visão romântica nisso, pelo contrário, conflitos existem, porém se conhece a pessoa que de certa forma te compreende, aceita, ajuda a crescer e cresce junto com você nos mais diversos sentidos da vida.

É muito difícil para o ego aceitar a perda de algo tão bonito e significativo como uma verdadeira amizade, mas há uma lógica que todos devemos aceitar mesmo não gostando. Todos nós estamos em constante movimento. Tudo o que vemos, estudamos, fazemos e nos relacionamos nos modifica, e não temos controle exato sobre o resultado do conglomerado dessas experiências. Mesmo um grande amigo tendo passado algum período longo da vida com você, é possível que essa amizade acabe devido a essas mudanças. A pessoa acaba por se tornar outra pessoa, com outra visão de mundo, mesmo que os valores em termos éticos e morais se mantenham. É como no relacionamento íntimo. Alguns duram para a vida toda, já outros acabam devido as mudanças individuais de cada um, impossibilitando a continuidade de um convívio que gere crescimento e alegria para ambas as partes.

A perda de uma amizade é dolorosa, mas é preciso respeitar cada momento, aceitar e agradecer o crescimento que esse vínculo proporcionou por tal período, desejando o melhor possível para que a pessoa continue trilhando o próprio caminho com alegria, prosperidade e entusiasmo.

Julio Furlaneto

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