15 - Como superar a rejeição em um relacionamento. - PSICOLOGOFURLANETO
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Se tem algo que assombra boa parte das pessoas é o medo de ser rejeitado.

Você já passou ou passa por um contexto assim?

Imagine-se vivendo um relacionamento, alguns conflitos básicos, mas tudo parece ir bem, e de repente, a pessoa fala que não quer mais, se posiciona e se afasta.

Você tenta conversar, entender, busca compreender alguma possibilidade do que possa ser feito para reverter essa situação, mas nada adianta. A outra pessoa já estava realmente decidida quando se posicionou e foi embora. Tudo o que lhe resta é o sentimento de rejeição. Seu amor, carinho e dedicação, rejeitados.

Se você já vivenciou algo assim, sabe que é difícil engolir e passar por uma etapa como essa. 

O primeiro ponto que torna a rejeição um processo difícil de superar é que nem sempre ela se faz clara. Às vezes, no início do evento conflitante, os sentimentos se misturam e o seu desequilíbrio emocional torna difícil ter lucidez do que realmente está se passando com você. 

Será que era amor demais?

Talvez seja a carência?

Acabou projetando suas necessidades naquela pessoa e agora não tem mais?

Revolta associada à ingratidão, por considerar que se dedicou tanto e não recebeu o proporcional em troca?

Cada pessoa é um universo, mas essa mistura de sensações negativas pode maquiar a realidade. Você simplesmente não se deu conta de encarar que foi rejeitado.

Para começar a lidar melhor com a rejeição é importante que você faça uma reflexão própria sobre essa situação. Culturalmente, e socialmente, perceba como a rejeição é vista de forma extremamente negativa. Quando se fala que alguém foi rejeitado, seja em um término de namoro, casamento, ou até mesmo numa entrevista de emprego ou projeto de negócio com possíveis sócios ou familiares, parece, principalmente no primeiro momento, que a pessoa rejeitada tem algo que não a torna satisfatória. Ela não foi boa o suficiente para que aquilo continuasse ou se desse uma oportunidade. E é claro que, mesmo a nível inconsciente, a própria pessoa sente isso e se apropria dessa realidade por um tempo.

Agora, te convido a pensar sobre essa rejeição de forma realista. É um convite para uma descrição fenomenológica. Sem otimismo barato ou negativismo sem sentido, apenas uma análise. 

Você, um ser humano, é um ser social por natureza. Só existimos e evoluímos devido às possibilidades de contato com outras pessoas, espécies e o meio.

Considere e reforce o óbvio. Nenhuma pessoa é igual a outra como um todo. Nem mesmo gêmeos idênticos são, e estou falando de DNA. Não precisa nem chegar na parte de temperamento, personalidade, valores éticos, morais e etc. Então, se você é diferente do outro, mesmo que haja semelhanças, irão discordar de muitos pontos que vivenciarão através do contato social, sendo essa uma condição inevitável. Ao não concordar, você e a outra pessoa em algum momento precisarão rejeitar ideias, convites, ações, costumes, falas, possíveis construções de hábitos e tudo que se faz presente em um relacionamento.

Dito que é um processo normal do convívio e necessário para que você possa evoluir, entendendo melhor a realidade do outro, evoluindo em contato e dialética, não há um motivo real, racional, para que você realmente se sinta mal em relação a rejeição.

Tem até aqueles relatos interessantes, de pessoas que foram muito bem sucedidas em suas áreas e rejeitadas nos seus primeiros projetos e produções, como Mozart. E não estou me referindo sobre suas primeiras obras, mas sim a relatos de sua vida íntima pessoal, de relacionamentos. O compositor, em suas andanças, tomou contato com a orquestra de Mannheim, que o incentivou a escrever novas obras. Conheceu a jovem cantora Aloysia Weber, por quem se apaixonou. Mas, no final das contas, foi rejeitado. Isso ocorreu em meados de 1778.

Agora, depois dessa reflexão, onde você já pode pensar com clareza sobre a rejeição sem se sentir a pior pessoa do mundo, sem valor, é preciso pontuar outro detalhe. A rejeição está muito ligada à capacidade de lidar com limites.

Pessoas que encontram dificuldades de respeitar os limites do outro, e que também acabam extrapolando com os seus próprios, nem que seja no sentido de se permitir ser invasivo e questionar de maneira inadequada ou até agressiva quando suas expectativas não são correspondidas, tendem a não encarar bem a rejeição.

Se você se identifica nesse perfil, pode tornar esse problema mais consciente, e trabalhar para que haja melhora. Fique atento aos momentos que se percebe sendo invasivo, transcendendo os limites do outro ou os seus. Cada movimento positivo que você fizer nesse sentido, de refletir, descrever e se permitir ajustar a sua conduta para que esse hábito perca poder na sua vida, mais facilidade você terá em lidar com a rejeição, seja essa de qualquer gênero, o que vai além do próprio campo dos relacionamentos íntimos.

Lembre-se, como foi dito anteriormente, pelo fato da rejeição ser emanada inicialmente de forma mais sutil que outros sentimentos como a raiva, por exemplo, você realmente precisa estar consciente, ou seja, escolher pensar sobre e ficar alerta para identificar os momentos que extravasa limites ou se sente rejeitado.

Nesse último trecho do nosso artigo, vou compartilhar com você uma curiosidade bacana, que vai te ajudar a entender porque é tão difícil lidar com a rejeição.

Grande parte do sofrimento e da angústia causados pela rejeição podem estar associados a uma área específica do cérebro. Essa conclusão foi retirada de um estudo científico da Rutgers University, nos Estados Unidos. A tese de Helen Fisher confirma que o amor romântico está ligado ao sistema de recompensas e à motivação.

O sofrimento causado pelo fim do término não é um sentimento que pode ser superado com facilidade, já que funciona como um vício. Aqueles que têm mais dificuldade para superar uma perda podem estar lutando contra um forte instinto que é a base de muitos vícios, e por isso é tão difícil de ser tratado.

Segundo Helen Fisher, é preciso tratar o fim da relação com um programa de desintoxicação e lembrar que o tempo realmente cura todas as feridas. O programa funciona em três etapas:

1ª) PARE DE FALAR, VER FOTOS OU TROCAR MENSAGENS:

Sem esse contato com a pessoa amada, torna- se mais simples desativar a área do cérebro associada ao apego, ficando mais fácil lidar com o processo de desligamento. É sugerido que você jogue fora ou esconda (tire de vista) presentes, cartas, roupas e outros objetivos que estimulem a lembrança.

2ª) FOQUE NO QUE DEU ERRADO:

Calma! Não é o que está pensando. Não é para ficar lembrando e focando no que deu errado para amargurar e sentir raiva da pessoa, pelo contrário, é para incentivar o cérebro a registrar as experiências ruins para aprender a superá-las. Entender que não são funcionais no formato de relação entre você e seu parceiro ou sua parceira.

3ª) RESISTA A TENTAÇÃO DE ENTRAR EM CONTATO COM O EX:

Aqui o bicho pega, e eu sei que é difícil. Porém, é a última e a etapa fundamental para fechar o ciclo do programa. Muitas pessoas quando estão indo bem nesse processo acabam voltando o contato enquanto ainda não estão preparadas para lidar com a situação e retrocedem, voltando a sentir os mesmos sentimentos negativos do início. O contato irá reativar as mesmas regiões cerebrais, ou seja, cuidado!

Espero que você consiga extrair o melhor da compreensão desse conteúdo e realmente aplique de forma positiva e benevolente no seu dia a dia, melhorando a sua qualidade de vida, bem como dos seus relacionamentos.

Julio Furlaneto

Psicólogo
CRP 14/05550-0

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