ansiedade

Publicar conteúdos sobre psicologia que não sejam artigos científicos direcionados para outros psicólogos ou alunos de psicologia não é tarefa simples.

É uma ciência que em sua aplicação tem a subjetividade única de cada ser humano como foco de trabalho.

Isso faz com que cada um seja mesmo que semelhante, único e diferente ao mesmo tempo. Por isso é difícil falar sobre padrões de intervenções e tratamentos em detalhes singulares, apesar da ciência ter uma linha de ação em cada uma de suas especializações bem embasada cientificamente.

Por isso, vou relatar nesse conteúdo informações baseadas nos atendimentos que tenho aqui no meu consultório.

Não significa que são receitas de como resolver nada, mas talvez te ajude a conseguir realizar novas reflexões, padrões de pensamentos, que estimulem comportamentos melhores para que você se adeque a um bom estado de saúde mental e emocional.

Então vamos lá!

 

Um ponto que tenho observado em meus casos clínicos que envolvem transtornos de ansiedade:

 

Os que obtiveram resultados melhores em um curto período de tempo foram os que tiveram mudanças abruptas de comportamentos.

O que seria essa mudança abrupta de comportamento?

Deixar de fazer algo ‘do dia para a noite’ que o consulente se tornou consciente de que aquilo estava gerando mais ansiedade.

Exemplo:

 

CASO 78

ansiedade
O consulente, homem, 23 anos, costumava sair e beber em festas com frequência. Tinha consumo médio/alto de álcool, cigarro e narguilé. Nas descrições fenomenológicas durantes as sessões, se deu conta de que SEMPRE, após os eventos de vida noturna com essas características, a ansiedade estava MUITO pior no dia seguinte. Depois dessa sessão o consulente parou de consumir álcool de forma média/alta, começou a largar o cigarro, parou de fumar narguilé e buscou novas formas de lazer analisando a repercussão dessas no resultado em sua saúde mental emocional.

Entendeu o que é FAZER ACONTECER na prática?

Não significa que quem sai à noite tem necessariamente mais ansiedade. Tem gente que vive perfeitamente bem com essa forma de lazer. Significa que quando você percebe algo que não te faz bem, ou você para, ou não vai melhorar. Simples assim. Livre arbítrio.

 

CASO 112

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Mulher, 39 anos, com síndrome do pânico, percebeu que a maior parte de suas crises eram desencadeadas após conflitos extremamente desgastantes com o namorado (relacionamento abusivo).
Quando se deu conta em sessão, foi para casa e chamou o namorado para realmente conversarem. Descreveu como essas situações a estavam impactando negativamente chegando ao extremo das crises de pânico e sinais somáticos no corpo.

Depois de mais três sessões, com a busca em tentar reequilibrar a relação sem nenhum tipo de avanço ou apoio do parceiro, se deu conta que não tinha saída. A relação não iria mudar, pelo menos naquele período. Optou por se afastar do rapaz pelo bem da sua própria saúde.

Entende?

Não está sendo dito que o namoro era o gatilho único da ansiedade dessa mulher. Não vou descrever todos os detalhes de mais de quarenta sessões realizadas em todos os contextos da vida desse caso, mas estou pegando os mais impactantes como exemplo para você.

O padrão do FAZER ACONTECER nesse caso também existiu.

A consulente se deu conta que precisava cuidar de si e mudar, e em alguns momentos da vida é preciso deixar de investir energia naquilo que está drenando ou servindo como âncora na sua vida para tomar o mínimo de lucidez e condição possível à fazer uma análise de qualidade e ter mudanças internas de padrões negativos que foram instalados ao decorrer da sua vida.

 

Não vou me prolongar nesse conteúdo.

Trouxe brevemente características em comuns de casos que eu pessoalmente atendi, e percebi esse padrão de comportamento nos que tiveram melhoras significativas no menor período de tempo: eles fazem algo na prática, alguma mudança de forma abrupta sobre aquilo que os está prejudicando.

 

“Ah! Julio! Então você está falando que eu tenho que ter uma mudança de forma abrupta para melhorar da ansiedade senão eu não vou melhorar?”

 

Não! Eu não estou falando isso. Você é um ser humano. Não há um manual de ações para efeitos exatos.

Estou mostrando exemplos de pessoas que criaram nas condições delas, no momento delas, com a percepção delas, maneiras de construir um contexto de vida mais viável para realmente tratar a ansiedade.

O que quero deixar registrado é que: sem fazer nada em prática, em atitude, você não vai melhorar. Isso eu posso afirmar como psicólogo, duas pós graduações no lombo, anos de cursos e mais de dez anos de atuação clínica.

Faça psicoterapia, e entenda que você vai ter que ser humilde o suficiente para ‘soltar’ aquilo que fizer parte do padrão que está te adoecendo.

Julio Furlaneto
Psicólogo CRP 14/05550-0