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FAMÍLIA TÓXICA – NÃO ADOEÇA

 

Esse á uma queixa EXTREMAMENTE frequente nos atendimentos clínicos do consultório. Conflitos familiares que geram desconfortos, e em alguns níveis mais graves, até traumas.

 

Traumas que vão atrapalhar a vida do indivíduo em todos os outros contextos da vida.

 

Começando, vou conceituar para você o que a psicologia entende sobre família:

 

Para a psicologia, a família é um conjunto de relações caracterizadas por influência recíproca, direta, intensa e duradoura entre seus membros (DE ANTONI, 2005).

 

A família representa o espaço de socialização, de busca coletiva de estratégias de sobrevivência, local para o exercício da cidadania, possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus membros, independentemente dos arranjos apresentados ou das novas estruturas que vêm se formando (Carter & McGoldrick, 1995; Ferrari & Kaloustian, 2004).

 

Segundo Minuchin (1985, 1988), a família é um complexo sistema de organização, com crenças, valores e práticas desenvolvidas ligadas diretamente às transformações da sociedade, em busca da melhor adaptação possível para a sobrevivência de seus membros e da instituição como um todo.

 

Com base na amplitude das modificações sociais, econômicas, políticas e culturais, Petzold (1996) propõe um conceito de família definida como “um grupo social especial, caracterizado por intimidade e por relações intergeracionais” (p.39), conceito que consegue explorar inúmeras variáveis.

 

Esse autor apresenta a definição ecopsicológica da família, baseada no modelo bioecológico de Bronfenbrenner (1994, 1999), em que o indivíduo é compreendido dentro de um processo de inter-relações constantes e bidirecionais com vários sistemas, incluindo a família.

 

Agora que tiramos o conceito de família apenas do achismo que cada um escolhe acreditar o que é ou deixa de ser, podemos falar sobre a família não funcional. A família tóxica e um português mais fácil para nós.

 

Vamos conceituar de forma breve e objetiva o que é uma família tóxica.

 

São as pessoas, ou pelo menos uma delas, que afeta a sua saúde negativamente. A maneira como isso pode ocorrer varia de infinitas formas.

 

Ela pode ter padrões de comportamentos que acabam invadindo o seu espaço e interferindo no seu desenvolvimento de forma negativa.

 

São pessoas que tendem a fazer com que você desenvolva baixa na autoestima e autoconfiança. Não muito diferente de um relacionamento íntimo tóxico, por exemplo.

 

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POR QUE ESSA DIFERENÇA DA FAMÍLIA PARA O RELACIONAMENTO ÍNTIMO?

 

Porque a simbologia de um pai e/ou mãe é muito diferente da simbologia de um(a) parceiro(a).

 

Essas figuras familiares têm um significado muito profundo por fazerem parte da sua existência e de quase tudo que se formou dentro de você desde os seus primeiros anos de vida.

 

Agora a pergunta que sempre surge para mim nas mídias digitais e aqui no consultório é a seguinte:

 

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“O QUE FAZER COM UMA FAMÍLIA TÓXICA?”

 

Vamos por partes:

 

Se você já não é mais criança, é uma pessoa adulta que tem livre escolha.

 

Diferente de uma criança de 2, 3, 4, 9 anos de idade, você já consegue pensar e executar muitas ações através dos seus próprios pensamentos sendo menos dependente da sua família.

 

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O PRIMEIRO PONTO

 

O primeiro ponto é não tentar mudar a sua família a força.

 

Exatamente!

 

Aceitar que, na realidade você não precisa que eles sejam “saudáveis” ou “positivos” com você para que você possa viver bem.

 

Se você já chegou até aqui, sobreviveu à família tóxica mesmo com algumas sequelas emocionais (e ou físicas em casos extremos) a esse caos. 

 

O ponto de partida é sempre no AQUI-E-AGORA.

 

O momento presente!

 

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E POR QUE ESSE PRIMEIRO PONTO DE ACEITAR QUE VOCÊ NÃO VAI MUDÁ-LOS É TÃO IMPORTANTE?

 

É importante para que você possa se permitir criar situações a partir de si para começar a se sentir melhor em relação a sua família, sem deixar na mão do outro a responsabilidade sobre a sua própria qualidade de vida.

 

É conseguir focar em dizer para você que é possível, mesmo com todas as dificuldades que viveu ou ainda vive com essa família, que poderá construir novos ajustes para ter uma vida próspera em todas as áreas.

 

Partindo desse princípio, podemos ir ao segundo ponto:

 

SE CURAR!

 

Se curar significa conscientizar todo o estrago que esse convívio familiar causou (e ainda pode estar causando em você caso more com eles) para começar a ter escolhas mais saudáveis sobre os seus resultados.

 

Normalmente o processo de cura se dá na interação com PESSOAS NÃO TÓXICAS. 

 

Falando do meio social, pode ser um amigo, outro familiar, namorado, pessoas da sua escola, faculdade ou ambiente de trabalho, não importa. Mas, pessoas que tenham comportamentos e crenças não tóxicas. Pessoas que vão poder estimular algo diferente, positivo através do convívio com você, simplesmente por serem elas mesmas.

 

Essas pessoas vão estimular novos pensamentos e emoções que você não é habituado a vivenciar.

 

Nesse convívio, poderá perceber que existem outras maneiras funcionais de se relacionar, e o contato direto com essas vivências com toda certeza ajuda nesse processo de cura.

 

Também é preciso considerar a possibilidade do apoio profissional.

 

Por quê?

 

A terapia pode te proporcionar mais clareza e condições mentais mais elaboradas para você estruturar o fechamento e ressignificação desses eventos pesados que passou ou passa com a sua família.

 

Ela favorece, por exemplo, ao aumento da autoestima e da autoconfiança.

 

Você não precisa estar doente para procurar um psicólogo e fazer terapia, basta querer melhorar qualquer coisa no seu dia a dia que envolva suas emoções e comportamentos, ou seja, de forma direta ou indireta, tudo o que existe.

 

Quer ver um exemplo bem simples de como isso funciona na prática?

 

Os exemplos são formas extraordinárias de nos aproximar da realidade. Às vezes, para você que está tendo dificuldades em um contexto da vida, no caso aqui o familiar, fica difícil imaginar fazer algo diferente.

 

Digo isso porque é comum ouvir de clientes que atendo o relato de que:

 

– “Já tentei de tudo e nada dá certo!”

– “Já fiz isso. Não funciona!”

– “Já fiz aquilo. Não funciona!”

– “Meus relacionamentos sempre acabam mal.”

– “Sempre encontro um jeito de me autossabotar.”

– “Não acredito que eu consigo.”

 

E a verdade é que todas as situações tem saídas enquanto tivermos energia e saúde para lidar com isso.

 

ENTÃO VAMOS AO EXEMPLO:

 

Você mora com os seus pais.

 

Se sente super mal porque eles não confiam na sua capacidade.

 

Sempre que você tenta fazer alguma coisa, te jogam para baixo com palavras e atitudes.

 

No convívio do dia a dia com eles você não encontra amizade, companheirismo e acolhimento.

 

Vive os vendo sendo ruins com eles mesmos. Reclamando da política, do dinheiro, reclamam uns dos outros.

 

Julgam tudo. Desaprovam tudo.

 

Raramente, ou nunca, escuta uma palavra positiva da boca de algum deles.

 

Você se torna adulto e sua vida começa a ficar travada em tudo.

 

Seus estudos não vão bem.

 

Você começa a trabalhar e o dinheiro não fui.

 

Seus relacionamentos íntimos sempre são conflitantes e não evoluem.

 

A vida social supérflua.

 

Sempre aquela angústia da sensação que está te faltando algo. Da sensação de injustiça. Da sensação de incapacidade.

 

Aí você se permite fazer o primeiro ponto que descrevi nesse texto.

 

Na próxima conversa que tiver com um colega, ao invés de ficarem falando sobre como é difícil ganhar dinheiro, vão conversar sobre a possibilidade de estudarem novos conteúdos e cursos juntos.

 

Vão conversar sobre aprenderem, mesmo que com muito trabalho, a elaborar e vender novos produtos e prestar novos serviços.

 

Você vai ver seu namorado, e em vez de ficar preocupada se ele está curtindo foto de guria ou não, vai elaborar um momento agradável para os dois. Vai conversar sobre assuntos que proporcionem alegria e crescimento aos dois.

 

No seu tempo livre, vai cuidar do seu corpo. Ao invés de ficar trancada no quarto assistindo netflix e falando mal dos pais para os outros, você vai ir à academia. Vai dar uma volta no parque. Vai lembrar que esses estímulos vão ajudar na sua produção neuroquímica e você vai se sentir muito melhor em curto prazo.

 

Vai lembrar que precisa comer bem. Então, em vez de ficar amuada em casa esperando a próxima refeição com os pais tóxicos falando besteira, vai ir a um lugar agradável e comer algo nutritivo que agrade o seu paladar. 

 

E você vai fazer isso todos os dias, da melhor forma possível.

 

No segundo ponto, vai marcar psicólogo e fazer terapia. Vai trabalhar o processo de curo de forma profunda e analítica.

 

Provavelmente pelos seus pais serem tóxicos, talvez não te apoiem nisso (incluindo apoio financeiro).

 

Então vai procurar um meio de fazer a baixo custo, ou aprender a ganhar seu próprio dinheiro para cuidar de si.

 

Exemplo: 

 

Aqui em Campo Grande – MS, três faculdades grandes que eu conheço atendem pessoas sem condições por uma taxa de R$ 5,00. Se você comprar duas águas a R$ 2,00 e vendê-las a R$ 3,00 no caminho, já pagou o super valor da sessão.

 

Se não tiver R$ 2,00, em menos de 5 minutos pedindo em um sinaleiro você consegue. Ainda mais se explicar para a pessoa que está pedindo o motivo pelo qual está pedindo.

 

Isso, sem considerar todos os amigos e pessoas que gostam de você que também podem te apoiar a construir essa condição.

 

Na terapia você vai ter seu espaço para elaborar maneiras mais eficientes de lidar com o frente à frente com os seus pais.

 

Em curto prazo, isso aumentará a sua autonomia, autoestima e autoconfiança. Você vai começar a se sentir melhor.

 

Inevitavelmente, muitas das besteiras que te falam e você vivencia vão perder o significado, porque você está se tornando uma pessoa melhor, mais evoluída, não tendo mais conexão com aquele padrão de comportamento negativo deles.

 

Agora tem um porém!

 

Olha o tanto de coisa que é preciso fazer parar lidar com isso.

 

E aqui estou exemplificando da maneira mais abreviada possível, porque na prática, cada caso é extremamente único e normalmente bem mais trabalhoso.

 

ENTÃO A PERGUNTA REAL É:

VOCÊ ESTÁ REALMENTE DISPOSTA A FAZER O QUE É PRECISO PARA SAIR DESSA SITUAÇÃO?

 

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Se não, esquece! Não haverá mudança.

 

Se sim, levante e vamos começar! 

 

Sempre haverá possibilidades.

 

LEITURA COMPLEMENTAR INDICADA:

Livro Cortela – Família

Vídeo youtube Julio – Como lidar com a pessoa narcisista

Vídeo youtube Julio – Relacionamento com os pais

 

Julio Furlaneto

Psicólogo CRP 14/05550-0