Por que você não consegue o parceiro ideal?

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1. O que é o parceiro ideal?

 

Como é fácil e prazeroso descrever o abstrato, não é verdade? A velha e “boa” impressão de que, tudo que não se tem se faz mais valioso, ou de alguma forma, simplesmente melhor. Então imagine uma simples pergunta e direcione ela à si mesma:

 

“- Por que mesmo sabendo que isso se faz uma realidade eu continuo nessa busca?”

 

Independente da resposta perceberá que nenhuma delas se torna atrativa, pois não alcança o objetivo em se apropriar de um parceiro ideal. Destaco aqui, que aos poucos perceberá que nenhum por que se faz muito útil. Não chamaremos os porquês de inúteis, pois com certeza esses podem direcionar à algum sentido, apesar de uma direção sem construção também não servir para muita coisa.

 

Quando se pensa em um parceiro ideal, aquele que irá compreendê-la, que atenderá às suas necessidades, que seja carinhoso, romântico, tendo postura de homem com atitude madura e atrativa mesclada à essas qualidade, e mais aquela infinidade de características que a maioria descreve, fica difícil associar à uma pessoa.

 

Então, começamos do ponto de partida. Considerando que um ser humano, independente de seu gênero ou orientação sexual é um ser mutável e em constante desenvolvimento, já explica o início de como essa resposta pode ser frustrante.

 

É impossível encontrar uma pessoa com características ideais ao que se imagina ser perfeito à sua realidade, considerando que mesmo que encontre algo semelhante, esse indivíduo irá com certeza mudar com o tempo ou ajustar os mesmos contextos de maneiras diferentes. Esse é o ciclo da vida. Vivemos em constante desenvolvimento querendo nós, ou não. Alguns tiram bom proveito disso e se encontram cada vez mais em um estado bom de saúde e bem-estar, e outros, por falta de consciência deslizam e passam por uma infinidade de dificuldades pelo seu próprio sistema de pensamentos e crenças.

 

Veja bem! Não estou querendo dizer que não exista o parceiro ideal para você, muito pelo contrário. Só estamos direcionado a proposta desse conteúdo e elaborar um conhecimento mais amplo, prático e eficaz sobre o que é um parceiro ideal. Para isso é preciso manter a mente aberta para se apropriar de novas reflexões, para que assim essas elaborem novas condutas, e essas condutas construam novas formas de pensar, retomando esse ciclo.

 

Gráfico ciclo reflexões 🡪 condutas 🡪 pensar

 

Então como responder essa simples pergunta? O que é o parceiro ideal?

 

Para elaborar a construção dessa é preciso olhar para sí própria e não para o outro. Sim, por mais que isso possa parecer controverso é a pura realidade. O autoconhecimento de suas características são fundamentais para ter uma noção adequada do perfil de pessoa que lhe fará bem em uma relação. Não sejamos rigorosos. Quando disse características, considere os dois leques dessas: as positivas e as negativas.

 

O que é uma característica positiva?

 

Característica positiva é aquela que lhe ajuda a ter boa saúde. São seus pensamentos e ações que colaboram nas soluções de problemas nos mais variados contextos de sua vida. Ou seja, pouco tem a ver com ético ou não, cero ou errado, moral ou amoral. Estamos falando apenas da característica isolada e sua capacidade de produção e não a julgando.

 

O que é uma característica negativa?

Característica negativa é aquela que te faz uma pessoa resistente. Faz com a solução do problema se torne obscura, de difícil construção. É toda e qualquer energia psíquica que lhe direcione para um caminho que sabote seu bem-estar, que o mantenha em uma zona de conforto insatisfatória. A característica negativa também deve ser vista inicialmente como um ponto de ação, e não algo à ser julgado, para assim ser descrita e compreendida.

 

Como estamos falando em descrever a si próprio para responder a simples pergunta: “- O que é o parceiro ideal”, agora não se trata mais de listar pontos que acham bons e ruins, mas sim de detalhadamente o mais descritivo possível perceber esses pontos na sua realidade, compreender como eles se apresentar, e iniciar um processo onde você possa ajustá-los da maneira que bem entender, mesmo porque você é livre e capaz, certo?

 

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2. Quem sou eu?

 

Esse é o início para a percepção de qualquer descrição. Quem é você? É uma pergunta simples, não? E porque ela não se faz tão simples de responder. Se você consegue responde-la em menos de um minuto de maneira resumida, acredite, você não faz ideia de quem realmente é.

 

Há uma diferença enorme entre saber quem é e acreditar quem que é quem você gostaria de ser.

 

Gráfico: eu real x eu fictício

 

Quer uma dica para perceber como essa percepção se faz de maneira errônea? Simples! Quando você justifica as condições psicológicas e ambientais para descrever suas característica do “eu”, elas se fazem distorcidas, exemplos:

 

“- Sou uma pessoa muito paciente, mas quando estou de TPM me torno impulsiva.”
“- Me vejo como alguém caridosa, mas só consigo ajudar quando estou muito bem!”
“- Não sou submissa, mas quando a pessoa me agredi prefiro evitar aquela briga.”
“- Eu sempre estou calma, mas quando vejo algo que me deixa com ciúmes saio da casinha!”

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Consegue perceber o quão contraditório as falas do dia a dia são? Imagine os seus próprios exemplos agora. Pare por uns instante aqui nesse momento de leitura e se permita vivenciar mentalmente situações semelhantes à essas, onde oscilações de comportamento que prejudicam e confundem o seu bom estado de equilíbrio.

 

Em gestal-terapia, que é a abordagem que utilizo para trabalhar em meu consultório particular, se entende que o equilíbrio pode ser gerado através das polaridades, ou seja, não é problema estar uma hora de uma maneira e outra hora de outra, mas se torna um problema não ter nenhum entendimento sobre seu próprio ponto de equilíbrio. Quem você é, independente de qualquer coisa, o que você é!

 

Na construção do quem eu sou, se aproprie das reflexões de seus próprios exemplos e siga a atividade abaixo:

 

1º) Escreve um breve texto respondendo a pergunta: “Quem eu sou?”. Seja o mais objetivo, descritivo e sincero o possível.

 

2º) Pontue uma característica positiva e outra negativa que tenha notado em seu dia por escrito (manuscrito). Lembre-se, é muito importante que você compreenda o conceito descritivo nesse segundo capítulo sobre não julgar e se atentar apenas ao significado dessas características na sua vida em prática.

 

3º) Descreva com a maior riqueza de detalhes possível tudo o que vier à sua mente que envolva as duas situações. Confie em seus pensamentos, não se limite apenas ao que os sentidos absorveram naquele exato momento. Tenha em mente que somos seres atemporais, que absorvemos conhecimentos conscientes e inconscientes, ou seja, se vier algum pensamento relacionado àquela característica vivenciada anote-o.

 

4º) No próximo dia faça o mesmo procedimento. Anote a característica positiva e negativa de maneira descritiva, só que, leia a do dia anterior antes de fazer a anotação. Deixe que as sensações anteriormente descritas reflitam sobre as novas ações do dia. Esse procedimento possibilitará com mais riqueza a descrição e um ideal que você deseja para si.

 

5º) Ao concluir os dez dias dessa atividade, leia com calma tudo o que foi anotado. Não faça uma leitura simplesmente por ler, mas sim uma leitura perceptiva. Relaxe! Sinta seu próprio corpo e as sensações que nesse despertam ao decorrer da leitura. Dê significado à elas. Em seguida, escreva novamente um breve texto respondendo a pergunta: “Quem eu sou?” e guarde suas anotações.

 

6º) No dia seguinte, ou seja, o 11º dia, quando estiver em casa após cumprir suas atividade, leia o primeiro texto de quando iniciou a atividade, e em seguida leia o de quando a conclui. Reflita sobre as diferenças que encontrou, o que lhe fez bem, o que fez mal, o que conseguiu melhor, e se aceite como é. Tenha nesse aceitar o ponto de partida para se reequilibrar.

 

O intuito dessa atividade é redirecionar o seu olhar para si próprio, fazendo com que tenha uma possibilidade mais clara e menos trabalhosa de criar o hábito de se perceber ao invés de fantasias sobre si.

 

3. Que sou eu para a sociedade?

 

Já que percebemos que não adianta fantasiar sobre uma pessoa sem saber quem você é, e fazer essa descrição do “eu real” é uma tarefa diária e trabalhosa, mas que se faz possível, vamos à sociedade.

 

Nesse contexto as hipocrisias mais engraçadas e trágicas do ser humano se fazem presente. Vamos começar da seguinte forma. Você, mulher, sabe que a sociedade sofre a sequela de um era de preconceito e machismo, e infelizmente muito disso se faz presente até hoje.

 

A mulher conquistou seu espaço, conquistou respeito e tem ótimas oportunidades até mesmo no mercado de trabalho. Muitas mulheres estão bem melhor posicionadas do que homens, o que é a prova dessa ser a realidade, mas os julgamentos ainda se fazem presentes.

 

Citarei alguns exemplos interessantes do que observo tanto no consultório como no cotidiano:

 

Exemplo 01:

A mulher se sente livre para sair e ficar com quem quiser. Está solteira. Usa as redes sociais e tem vários parceiros. Não simultaneamente! Mas se envolve com quem tem desejo, mesmo porque, ela é livre, não é verdade. No convívio com os colegas de trabalho, com a família, com os amigos, com os amigos dos amigos, essas pessoas vão conhecendo essa conduta como a apropriada por característica pessoal daquela mulher.

 

Depois de um tempo. De ter ficar, flertado, transado com vários caras e curtido bastante, essa pessoa sente vontade de namorar um rapaz sério! Uma rapaz que não fica com qualquer pessoa ou melhor dizendo, que não tem o hábito de ficar direto. Um cara centrado, reservado.

 

Conseguem perceber como são polaridades opostas? A pessoa desempenha um papel e em determinado momento cobra de um outro o oposto de quem é. A chance de uma situação assim ser frustrante e causar grandes conflitos é gigantesca.

 

Exemplo 02:

Vamos lembrar que a sociedade é preconceituosa. Claro! Não toda, mas boa parte dela. Que as pessoas julgam logo que conhecem. Me fale a verdade! Quando você conhece alguém, pensando bem ou mal, se faz inevitável não elaborar uma imagem completa daquele indivíduo não é mesmo? Então!

 

Nesse exemplo a pessoa é tranquila, está solteira, com vontade de conhecer alguém, mas é tranquila. Gosta de estar com as amigas e fazer programas “light”.

 

Depois de algum tempo ainda solteira, essa mulher se encontra já ansiosa, percebendo que parece difícil achar uma pessoa realmente interessante para se relacionar, e começa a sair para todos os bares, boates, festes e etc. Nesses eventos, obviamente conhece vários homens e vai fazendo novas amizades. Porém, nem percebeu que a tendência dos ambientes frequentados vai ao oposto de suas características, ou seja, suas chances de encontrarem alguém interessante diminuíram ainda mais, aumentando apenas a chance de ser julgada pelo perfil do ambiente que frequenta. Se for um ambiente onde as pessoas vão e ficam, a pessoa nova provavelmente irá olhar para você e julgá-la similar às outras que ali frequentam.

 

Consegue perceber a diferença entre as polaridades?

 

Pense nisso sem se exaltar como um julgamento de que sair para boates é ruim ou bom. Estar em tal lugar passa uma imagem de melhor ou pior, mas direcione à realidade de que, independente do que faça você será julgada. E sim, deve-se atentar à própria imagem como essa se faz expressa.

 

Quando digo isso, reforço sempre sobre autenticidade. Pouco adianta se atentar à como você se expressa se for para ir à um movimento contra o seu verdadeiro “eu”. Se faz necessário o ajuste daquilo que lhe faz bem dentro do possível dos contextos sociais que tende a frequentar, o que é muito diferente de desempenhar um papel para ter um resultado.

 

Estamos falando de ter consciência de si primeiro lugar, e ter consciência de si dentro do todo que vivemos em um segundo plano.

 

Exemplo 03:

A mulher está namorando, mas trai o marido e obviamente omiti a situação. Descreve que isso é necessário, pois ela é assim, e ama o namorado dela do mesmo jeito. Porém, caso ela descobrisse que esse também a traia, jamais aceitaria.

 

Sério? Há uma diferença bem grande entre ter um relacionamento aberto, com vários parceiros ou com a liberdade como bem entender. A outra, é mentir e construir, alias, pensar que está construindo algo em cima da mentira, correndo o risco de perder tudo pelas omissões dos fatos.

 

Você pode estar lendo e não se identificar com esse terceiro exemplo, mas lhe garanto que é algo que vejo com frequência. É mais do que comum.

 

Voltando ao ponto de que é preciso saber quem é para conseguir um parceiro ideal, como você será extraordinariamente feliz desempenhando um papel. Já encontrei casos onde a mulher realmente consegue atingir essa felicidade diante a uma situação dessa, mas infelizmente a pessoa que vive uma realidade particular sem interação de mentira de maneira extremamente natural normalmente possui algum transtorno de conduta. Digo isso pelos danos que essa pessoa se arrisca a causar ao outro de maneira racionalizada. Um ser humano equilibrado e saudável não se dispõe à prejudicar o próximo.

 

4. Imagem virtual, internet e as redes sociais

 

No mundo virtual, ao contrário do que se pensa, não é apenas virtual. Essa separação que se fazia entre o que é exposto virtualmente e o que somos no pessoal já não existe mais.

 

O acesso à internet hoje faz parte do dia a dia de boa parte das pessoas. A mesma internet, que hoje fornece várias possibilidades atraentes de sistemas de interações, tais como: Facebook, Instagram, LinkedIn, Twitter, e várias outras.

 

Posso retratar essa realidade pela minha prática profissional. Todos os casos de adultos que vieram à mim em busca de uma melhora em sua relação conjugal tiveram direta ou indiretamente a internet como facilitador na construção dos problemas.

 

Com raras exceções, quando apenas um entre os do casal usa essas redes sociais, e alguns outros casos de uso realmente mínimo, com quase nenhuma exposição pessoal e profissional de dados.

 

Outro exemplo que tenho são as consultorias que presto na área organizacional para recrutamento e seleção de funcionários.

 

Nessa triagem normalmente se faz necessário um novo endereço de e-mail apropriado para a situação, e advinha? A maioria dos e-mail vêm linkados com o facebook e ou outras redes sociais. Ou seja, a pessoa manda um e-mail e em um clique já consigo observar sua rede social. Esses são só alguns exemplos da relevância desse tópico.

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CONCLUSÃO:

 

Para ter algo bem desenvolvido na vida é preciso entender como a cosia funciona.

 

Entendendo isso, é preciso se desenvolver como ser humano nos seus mais variados aspectos para saber lidar com as diversas situações.

 

O ganho disso?

 

O próprio processo é extremamente prazeroso.

 

Não há nada mais gratificante do que fazer o bem para si mesmo e ao próximo da maneira que fora.

 

Julio Furlaneto

 

 

Leitura complementar:

Livros:

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