27 - AMOR X PAIXÃO

A PESSOA CARENTE VÊ AMOR E PAIXÃO ONDE NÃO TEM.

É preciso ter clareza sobre o significado de amor e paixão para que você entenda as suas emoções enquanto estiver se relacionando e possa realmente criar os melhores resultados para você e a pessoa amada.

A paixão é o fogo inicial. Uma alteração neuroquímica que invade o seu cérebro, fazendo com que se torne levemente irracional (mais que o normal). 

Diferente do que você pode estar pensando, que então é algo primitivo e disfuncional, é o contrário disso. A paixão tem função fundamental na vida de nós, seres humanos. É através dela que você consegue ter determinadas atitudes advindas de pensamentos e emoções incomuns para você, que facilitarão o contato com a pessoa que você está se sentindo atraído.

A paixão permite que você quebre os níveis de censura comumente impostos pelo seu ego, e dê um passo à frente no sentido de tentar se aproximar e conquistar o objeto de atração, a pessoa.

Por isso, existe uma confusão inicial que deve ser desconstruída no seu sistema de crenças (Assista a AULA 01 – CRENÇAS DOS RELACIONAMENTOS na Comunidade Furlaneto). Você não precisa estar apaixonado loucamente como no início do relacionamento durante todo o período em longo prazo que ficarão juntos. Seria até disfuncional. 

É natural e necessário que essa paixão inicial tenha seu pico elevado nas primeiras semanas e meses, depois diminua, para dar abertura onde você consiga desenvolver um vínculo realmente mais íntimo com sentimentos mais elaborados, tais como o amor.

Mas calma! Fique tranquilo. Não pense que perder essa paixão inicial vai fazer do seu relacionamento algo morno ou com menos química, longe disso. Durante o relacionamento, através da maturidade do convívio e das emoções que vocês sentem um pelo outro, irão vivenciar vários ciclos de se apaixonarem novamente em novos formatos.

São processos naturais que não deixarão de existir caso vocês consigam manter a manutenção e a condição de um relacionamento saudável.

A questão é que alguns relacionamentos não conseguem chegar no início desse desenvolvimento, e quando a paixão acaba, tudo desmorona, pois não foi construído nada além disso nas etapas iniciais.

Por isso é tão comum escutar que se faz difícil manter uma relação depois do fim da paixão, pois ela estava totalmente respaldada em cima dessa explosão de desejo e tesão. E na vida adulta, você há de convir comigo, apenas tesão não sustenta relação. 

Dentro da Comunidade Furlaneto  disponho o Curso sobre Os 9 Pilares para Construir um Relacionamento Saudável: respeito, sexo, humildade, amor, amizade, confiança, empatia, cumplicidade e comunicação.

Você pode se inscrever na Comunidade Clicando Aqui, ter acesso imediato ao Curso e todas as outras aulas sobre Desenvolvimento Pessoal e Relacionamentos que tenho produzido e alimentado o nosso espaço semanalmente.

E onde a carência entra nessa questão da paixão?

É simples de entender. A pessoa carente é aquela que acredita estar vivendo sempre em falta de algo. É como se a pessoa buscasse no outro aquilo que não sente por si mesma. Quando não tem ninguém ao seu lado, sente um temor de solidão absurdo, como se fosse a pior coisa a ser vivida.

Normalmente a pessoa carente tem um histórico de não aceitação ou acolhimento do pai e/ou da mãe. Não imagine pais totalmente disfuncionais que trataram essa criança mal, mas apenas pais que não conseguiram fazer com que ela se sentisse segura no sentido emocional, mesmo tendo um lar, convívio e os cuidados para com a sua segurança e dinâmica do dia a dia nas fases de desenvolvimento.

Esse sentimento de falta, criado lá na infância, se reproduz na vida adulta e boa parte de fundo (inconsciente). Muitos dos casos clínicos que já atendi de pessoas que sofriam por carência emocional, nem se davam conta no primeiro momento do porque eram assim.

O carente vai buscar se apaixonar na primeira oportunidade que tiver, sem filtro, apenas para satisfazer essa falta. E aí começam os problemas. Se relacionar com qualquer um, sem o mínimo de análise sobre compatibilidade de valores, crenças e desejo é pedir para criar problemas extremamente desconfortáveis através desse contato.

Agora imagine o carente que achou alguém que conseguiu curtir a paixão por um tempo e também não criou nada além disso com essa pessoa.

Começa a acreditar que ama essa pessoa. Cria a ilusão de um sentimento mais amplo e complexo na necessidade de suprir a falta que sente dentro de si. E esse processo é muito bem elaborado.

Estando carente você vai usar do que chamamos de racionalização. Em um português claro, vai justificar para você mesmo qualquer motivo que faça parecer real e plausível o que você sente pelo outro e o que você quer.

E o amor, para quase todos, é algo profundo a ser construído. O amor é um sentimento criado através do contato e do amadurecimento das emoções, bem como do alinhamento de interesses, crenças, paradigmas, desejos, perdão, fraquezas, limites, defeitos, virtudes e etc.

O amor também tem em si a intensidade, mas não no formato da paixão. Essa intensidade muda de direção. Nesse formato mais amplo, você consegue visualizar cuidar de si para estar melhor para si próprio e para a relação, porém, o outro também ocupa esse primeiro plano.

A outra pessoa se torna sua prioridade tal como você mesmo, e isso se constrói de forma genuína, amorosa, fluída e benevolente. Por isso que, amor não combina com fazer pressão. 

Já percebeu como em relacionamentos íntimos é extremamente comum tudo dar ainda mais errado quando você coloca pressão sobre?

Entenda como colocar pressão para querer forçar que as coisas aconteçam no tempo que você deseja (antecipado), e que a outra pessoa compre a ideia e seja o que você espera dela também nesse tempo que você deseja.

Não funciona. 

O amor tem total união com o significado de devoção. Você dedicar-se a pessoa amada, que está com você nesse relacionamento, além do óbvio de atender as necessidades do seu próprio ego.

Percebe que não tem como encaixar a carência aqui? Na carência você está buscando satisfazer a si próprio em primeiro plano. No amor, a outra pessoa também precisa estar em primeiro plano, se tornando responsabilidade sua.

E quando digo responsabilidade sua é o cuidar incondicional de todas as formas dessa pessoa, mas não por medo dela te abandonar ou de você ficar sozinha. Não por manipulação barata, na esperança de que ela se torne uma pessoa dependente de você para que você novamente, não fique sozinha, mas sim por amor.

Porque ter esse cuidado te preenche de todas as formas ao vê-la bem, e saber que você foi gratificada por fazer parte dessa união.

Na prática dos relacionamentos, a verdade é que o amor tem sido uma palavra vulgarizada. Tem sido usada como moeda de troca, chantagem e uso de força para manipular a outra parte. Fazer com que o outro acredite que o seu sentimento é tão intenso e se sinta no dever de retribuí-lo ou se sinta mal caso decida rejeitá-lo.

Na prática, se você faz o uso de algo tão bonito nesse formato que te descrevi acima, lamento te informar, mas você tem sido uma pessoa horrível com o outro. Assumir isso é a chave inicial para iniciar qualquer processo de mudança. Claro, se for do seu interesse voluntário e fizer algum sentido ter evolução nessa esfera. 

Agora, imagine uma pessoa carente perdendo um “amor” que nem era amor, se sentindo totalmente desamparada, abandonada, injustiçada pelo próprio problema que ela criou. 

Imaginou?

Consegue visualizar o caos que isso constituiria na psique dessa pessoa? E mais além. O desconforto que causaria na vida do outro também? Não é justo ser uma âncora na vida de alguém. Do que adianta se julgar uma pessoa boa se você promove o caos para com o outro? Apenas hipocrisia e nada de bondade.

Na Comunidade Furlaneto tenho duas aulas que considero importantes, além do Curso dos 9 Pilares para Construir um Relacionamento Saudável sobre o tema deste artigo.

AULA 18 – COMO SUPERAR A DEPENDÊNCIA EMOCIONAL;

AULA 23 – LIDANDO COM A INSEGURANÇA NO RELACIONAMENTO.

Para você que está enfrentando carência afetiva e quer realmente ter um relacionamento leve, estável e próspero com uma pessoa amada, assista esses conteúdos com atenção.

Lembrando que todas as aulas têm um espaço adequado para que você possa comentar, descrever as suas experiências e tirar as suas dúvidas, tendo o meu suporte pessoal sobre o seu processo.

Te espero lá dentro.

01 - O que um psicólogo faz?

Julio Furlaneto

Psicólogo
CRP 14/05550-0

Desenvolvimento pessoal e emocional para Homens e Mulheres, que querem viver um relacionamento leve, estável e saudável.