ARTIGO 31 - TÉRMINO, INSEGURANÇA E CARÊNCIA. A HISTÓRIA DO BOM JOSUÉ

Término, insegurança e carência. A história de Josué.

Um jovem homem, buscando ser o seu melhor, e aberto para construir um bom relacionamento com uma mulher.

Recebi essa pergunta muito interessante por e-mail, onde Josué (nome trocado por questão de privacidade) descreve o início de seus dois primeiros relacionamentos.

Bacana que tenha enviado de forma clara o que vivenciou para que possamos explorar boas possibilidades de visualizar ajustes em formatos benevolentes, de forma reflexiva, descritiva e não superficial.

Então vamos à história: 

“Prezado Júlio, bom dia!

Sempre assisti seus vídeos, pois me ajudam bastante. Acompanho suas lives mas raramente mando alguma pergunta, gosto dos conselhos que você dá. Meus parabéns pelo seu trabalho. 

Espero que possa me ajudar. Sou homem, tenho 21 anos, até hoje só tive duas relações das quais não duraram mais de três meses. Na primeira tive a tendência a olhar o exterior, joguei a culpa nela (Não quis olhar para mim mesmo) por ser mal resolvida com o ex dela, mas fui domado por insegurança, baixa autoconfiança, acabei ficando carente, apegado e com medo de perder.

Ela terminou comigo, algo que nem tínhamos oficializado de fato. Fiquei mal durante três meses, depois passou e segui minha vida.

Oito meses depois conheci outra, de família, virgem, 17 anos, caseira, enfim, coisas que admiro bastante em uma mulher. Fomos nos conhecendo e tals, ela tentava me causar ciúmes uma hora ou outra, mas fui indiferente, pois achava que ela estava me testando para ver se sou seguro emocionalmente, só que fui me envolvendo emocionalmente.

Até então consegui levar, controlando minha insegurança e sendo um homem melhor. Porém os jogos não pararam, e isso de certa forma foi me atingindo aos poucos.

Quando perdi meu emprego, ela fez esse jogo de me causar ciúmes de novo, dizendo que outro homem deu em cima dela, e que achou outros homens bonitos. E eu já abalado com a perda do meu trabalho, mostrei insegurança, medo de perder, baixa autoconfiança novamente e cheguei até a achar que ela me tratava como um inimigo.

Ela esfriou, se afastou totalmente. Eu domado pela insegurança depois de quinze dias mandei mensagem para ela, para sabermos se iríamos continuar, ela então falou ‘pensei muito na gente e acho melhor ficarmos apenas na amizade’.

Concordei, silenciei, excluí o número e nunca mais a procurei. Reagi emocionalmente, tive uma crise de ansiedade, e me culpei por todos os dois relacionamentos. Agora, quatro meses depois, estou passando por um processo de autoconhecimento, onde vi diversos defeitos e erros meus e poucas qualidades.

Sei que a insegurança é indício de baixa autoestima, mas não faz sentido, me sinto saudável, bem comigo mesmo, tenho uma família maravilhosa, faço faculdade que gosto, enfim tenho tudo que preciso em minha vida, porém nos relacionamentos isso me atinge de uma maneira muito forte, isso também já ocorreu no trabalho só que num grau menor. 

Sei que preciso trabalhar algo em mim, agradeceria por uma ajuda sua. Muito sucesso a você!”

Fim da história.

Primeiro, obrigado pela mensagem. Fico feliz que os conteúdos estejam tendo um efeito positivo para você Josué. 

Quero começar com um elogio. Você como um jovem homem de vinte um anos, desde novo disposto a se compreender melhor e buscando construir de forma madura um relacionamento, dentro da sua percepção nesse momento.

Acredite, esse já é um grande diferencial. Visualizar que é sim possível viver uma vida com valores e construtiva desde do início da fase adulta. Pode ter certeza que esse comportamento, se mantendo de forma resiliente, irá te gerar bons frutos em todos os contextos da vida.

No primeiro relacionamento você deixou claro que foi domado por insegurança, carência e apego. Pensando que foi o seu primeiro relacionamento, se faz natural compreender que não existia preparo ou experiência para lidar com esse nível de intimidade de forma madura. E está tudo bem.

Você também pode observar que passou pelo luto do término de um relacionamento de maneira aceitável. Como foi algo rápido, demorou três meses para ficar bem e seguir em frente. A média de tempo que as pessoas demoram para elaborar seus lutos de relacionamentos íntimos é de dois meses a dois anos. 

Também foi respeitado um tempo para se permitir envolver intimamente novamente (oito meses), o que é muito importante. Só que, nesse segundo momento, você foi se aventurar em um campo perigoso. Uma jovem de dezessete anos. Por mais que a pessoa possa demonstrar algum nível de maturidade em alguns aspectos da vida, que tenha te encantando (além da beleza que isso representa como atração para alguém da sua idade), ainda é uma pessoa concluindo o período de adolescência, que comumente se estende até os dezoito anos.

Na prática isso impacta em questões de personalidade que ainda não estão bem elaboradas, bem como as prioridades e os desejos podem ser superficiais e mal interpretados pela própria pessoa. É uma das razões de adolescentes criarem todos os tipos de problemas em suas primeiras tentativas de se relacionarem intimamente.

Só que nesse segundo namoro, você fez uma escolha consciente por zona de conforto (não se sinta mal com esse termo). Viu o comportamento inadequado da pessoa sendo manifestado contra você, no caso, fazer ciúmes propositalmente, e escolheu dar um significado não tão grave para isso. Continuou tocando.

Todo desgaste depois disso até finalizar esse segundo relacionamento é a consequência da falta de posicionamento claro sobre esse ponto, e qualquer outro ponto semelhante que tenha vivido.

Essa sensação de insegurança se dá pelo fato de você escolher não fazer o que é correto. Considere correto aquilo que tem alinhamento com o seu senso ético, moral, e seus valores positivos como um bom homem. Esse conjunto de crenças precisa ser protegido por você. Não significa que você precisa atacar a pessoa, ou se manifestar de forma agressiva, pelo contrário, mas impor limites, e caso a pessoa deixe claro que não irá respeitá-los, se afaste como última saída.

O fato de estar encarando a situação, buscando orientação e se expondo para melhorar, mostra que você tem sim segurança em você.

Por isso em sua própria pergunta ficou com dificuldade de se entender como alguém frágil, de baixa autoestima, pois provavelmente não é o caso.

Em relação ao apego, você se permite construir quando compra a ideia de posse. Achar que possui a outra pessoa e depende desse possuir para conseguir se sentir seguro. É uma ilusão. Isso não existe. Por conta disso é insolúvel. 

A ideia de um relacionamento saudável, inteligente e duradouro inclui duas pessoas que escolhem viver seu propósito individual da melhor forma possível (estudar, trabalhar, ter seus próprios valores e etc.) compartilhando e priorizando a manifestação de tudo isso com o outro, formando uma comunidade entre homem e mulher, que posteriormente pode evoluir para o formato de uma família.

Essa escolha sobre a relação precisa ser voluntária e genuína de ambas as partes. Quando se permite viver com alguém que tenta te desconcertar de propósito, seja por ciúmes ou qualquer outra condição, você está indo na contramão disso. 

Também é preciso que seja feita uma avaliação de qual é o seu grau de dependência com os seus pais, seja essa financeiramente, social ou emocional. São questões que precisam ser resolvidas conforme você vai ficando mais velho para se sentir dono do seu próprio self (nariz). 

Construir a capacidade de resolver os problemas a sua volta através da sua própria capacidade de criação, sentindo emoções como alegria e amor no processo, e vendo a repercussão positiva disso impactar na vida dos envolvidos, é o combustível real para a autoconfiança de um homem adulto.

Como foi descrito na pergunta, esse processo não está sendo negligenciado. Está estudando, trabalhando e tendo alinhamento dentro do seu propósito.

Uma coisa muito importante é não problematizar uma situação mais do que essa realmente representa. Olhe para essas questões que você passou com naturalidade. Foram elas que te ajudaram a visualizar pontos que você precisa trabalhar em você. É essa a função real do passado. É uma escola.

Dia após dia, as possibilidades práticas de escolhas e ações que podem favorecer essa construção irão ficar cada vez mais claras, considerando que você mantenha sua consciência em paz e focada, direcionada para esse caminho.

Creio que também entendeu que não dá para colocarmos qualquer pessoa em nossas vidas. Você irá observar que uma das decisões mais importantes na vida de um homem é a mulher que ele escolhe para construir uma família. 

Não fantasie isso, mas sendo claro, precisa ser alguém que você tenha admiração pela pessoa. Precisa ser alguém que desperte o melhor em você, e você consiga corresponder de forma mútua, evoluindo e gerando segurança para si e para essa pessoa.

Acredito que se mantiver a cabeça alinhada nas suas obrigações, honrando seus pais, independente do vínculo que tenham, trabalhando sua consciência a nível transpessoal (existencialista, filosófico, espiritual, simbólico e etc.), seu campo de visão ficará mais seletivo para criar uma relação saudável.

Sei que pela sua capacidade de ter redigido bem essa pergunta de forma pacífica, clara e em boa linguagem não irá distorcer a interpretação do que foi dito aqui. Não estamos falando de ficar escolhendo alguém em detalhes, ou buscando alguém perfeito, só estamos falando de encontrar alguém que entre em fase realmente com você. 

E, no final das contas, está tudo bem!

Não sei se você já está inscrito na Comunidade, mas se não estiver acredito que os conteúdos por lá irão te ajudar a amadurecer. 

Vou deixar o botão de acesso abaixo desse texto.

Abraço!

Julio Furlaneto

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01 - O que um psicólogo faz?

Julio Furlaneto

Psicólogo
CRP 14/05550-0