33 - DEPENDÊNCIA EMOCIONAL - O QUE FAZER?

Você sabe o que é dependência emocional?

Já se sentiu em um beco sem saída, sem saber o que fazer para sair de uma situação assim?

Um ponto muito interessante para entender essa realidade começa na simples reflexão sobre o conceito de dependência emocional.

O que é dependência?

Dependência é tudo aquilo que você é subordinado,  sujeito e precisa de para ‘viver’. É uma pessoa que não consegue se desligar de um hábito, um vício, ou até mesmo de outra pessoa.

Não consegue criar ajustes para a própria vida sozinho, precisando sempre de interferência externas que realizem esse movimento para si.

O que é dependência emocional?

Acrescentando o conceito emocional sobre a dependência, pode-se entender que a dependência emocional é o apego excessivo sobre a outra pessoa.

Essa pessoa pode ser o seu cônjuge, amigo, colega de trabalho ou até mesmo um familiar.

Nos dias de hoje é fácil observar pessoas dependentes emocionalmente dos seus animais de estimação, que nesse período da nossa existência ganharam total liberdade no espaço interno doméstico. 

O que é apego?

Sobre o apego, para que fique claro, recomendo a leitura de John Bowlby, que decorreu com profundidade sobre a teoria do apego. 

Definiu como o comportamento que se refere a ações de uma pessoa para alcançar ou manter proximidade com outro indivíduo, claramente identificado e considerado como mais apto para lidar com o mundo (BOWLBY, 1989; CASSIDY, 1999).

Em outras palavras, traduzindo para relacionamentos íntimos, por exemplo, a pessoa ‘encosta’ em alguém que vai lidar com a vida por ela, principalmente nos contextos que não se sente suficientemente satisfatória sozinha.

Quais são as causas da dependência emocional?

Você pode observar três pilares que sempre aparecem em pessoas que se fazem dependentes nos relacionamentos.

  • medo de errar;
  • medo de ser rejeitado;
  • medo de ficar sozinho.

Essas sensações, para quem vive na pele, se manifestam de forma confusa. Talvez para quem não entende essa problemática possa resumir racionalmente de maneira simplória, que é só enfrentar que está tudo resolvido, mas na prática para quem é refém de dependência, a ferida é um pouco mais embaixo.

Medo de errar

A falta de confiança sobre si próprio é um problema profundo, porque normalmente vem construído desde a infância. 

Dependendo do convívio que teve com os pais (se teve) e como esse foi interpretado, é possível que não se sinta um adulto forte o suficiente para encarar o mundo (as situações normais do dia a dia).

Crianças que não foram acolhidas emocionalmente para enfrentarem os obstáculos de acordo com as necessidades de suas fases de desenvolvimento ao decorrer dos anos sofrem demais ao se tornarem adultas. 

Mas não é só a criança que não teve um ambiente de segurança que sofre. O extremo oposto pode repercutir com o mesmo efeito negativo (ou até pior).

A criança superprotegida, que foi privada de enfrentar as adversidades necessárias na sua rotina, não desenvolveu a habilidade que será necessária quando se tornar adulta. Irá sempre buscar uma figura que se assemelhe ao que o pai, a mãe ou outros adultos representavam para ela.

Se mantém uma criança interna frágil e incoerente a realidade da vida sendo mais velha e precisando exercer determinadas responsabilidades e compromissos. 

Medo de ser rejeitado

Aqui você também observa as origens nas fases de desenvolvimento infantil. Crianças que não receberam o amor incondicional de seus pais ou cuidadores. 

Esse padrão é utilizado pela psique como matéria prima durante toda a construção da personalidade, sistema de crenças e paradigma. Como poderia ser diferente? Cada um utiliza a bagagem que tem internamente, independente de qual seja, boa ou ruim.

Quando essa pessoa tenta se relacionar ou enfrentar alguma situação, lá no fundo, inconscientemente, sente que será rejeitada, pois nunca o que fez ou o que deixou de fazer foi digno de receber o cuidado, atenção, recompensa e amor. 

A rejeição é vista como possibilidade óbvia, o que torna o relacionamento muito complicado, pois mesmo que a outra parte esteja fazendo o seu melhor para que essa pessoa se sinta segura, dificilmente irá suprir esse medo sem um movimento interno de reflexão e mudança do próprio dependente.

Recomendo que assista a um vídeo no meu canal do youtube que fala sobre “O que fazer quando se encontra dependente emocional?”

Medo de ficar sozinho

Entre todos os medos esse é o maior terror. Se você é dependente emocional sabe do que estou falando. A ideia de ficar sozinho faz com que obrigatoriamente tenha que enfrentar a vida por si só.

Para quem não se sente capaz, funciona como um pesadelo mental, constante, dia após dia. Esse medo pode ser tão grave, que não é incomum observar pessoas que desenvolvem transtornos mentais devido a situações assim.

Excesso de ansiedade, depressão, somatizações (problemas no corpo advindos do desequilíbrio mental), disfunções do sono, problemas sexuais, transtornos alimentares, dentre várias outras lamentáveis possibilidades que podem explodir quando a sua mente entra em um nível máximo de sobrecarga e não se encontra mais em seu estado natural, saudável.

Como superar a dependência emocional?

1º Ter consciência do problema

Eu sei. Pode parecer a coisa mais óbvia do mundo, mas sabe o que é mais óbvio?

Quando você tem um problema que apavora a sua vida, a reação inicial é a negação e não a consciência. É negar para si e para o mundo que é alguém sim dependente emocional. Que é responsável por todos esses desconfortos causados na sua vida, mesmo que a construção disso tenha vindo da interferência de outros adultos.

Escolha refletir conscientemente sobre as suas escolhas e ações. Descreva quais resultados surgem desse processo e se permita visualizar com clareza a sua participação (ou negligência) no processo.

2º Fazer psicoterapia

Acredito que eu tenha deixado claro ao decorrer desse texto que boa parte dessa bagagem vem das suas experiências passadas.

As vivências conflitantes ou mal interpretadas, ou até mesmo traumáticas vivenciadas com o pais precisam ser trabalhadas e ressignificadas. Nessa jornada não tem jeitinho, principalmente para você que se encontra em desequilíbrio, dependente emocional. É preciso que você faça psicoterapia.

Você vai descobrir que as próprias experiências fora do ambiente familiar que você começou a construir desde jovem duplicaram esse padrão tóxico, principalmente nos primeiros relacionamentos íntimos, sendo os namoros e amizades mais significativas. A vida amorosa deixa muito claro a sua sombra (todo o lixo que foi empurrado para debaixo do tapete).

3º Cuidado com os predadores

Sim, o mundo não é um conto de fadas. Existem pessoas boas e pessoas ruins. Gente de todo o tipo que você pode imaginar, porque nós temos livre arbítrio e vivemos como bem entendemos (até certo ponto).

Você que é dependente emocional, que teve um passado que te fez frágil, que quando adulto reviveu experiências de forma cíclica, onde sempre se sentiu desvalorizado, rejeitado e com medo, é a presa mais fácil e ideal para um mau-caráter, narcisista, sociopata ou psicótico.

Caso você não soubesse disso, agora sabe. Não se trata de injustiça, ou do universo conspirando contra você. Os vulneráveis sempre serão os mais afetados pelos negativos, por isso, cuidado!

Quando eu digo cuidado, é no literal. Escolher com muito cuidado com quem você se permite relacionar e compartilhar a sua intimidade, principalmente considerando agora que você já tem consciência do problema, e caso ainda não tenha resolvido a questão da dependência emocional, a tendência automática de se tornar refém do outro continua.

4º O passado é seu aliado, não seu inimigo

Um péssimo hábito, na verdade horroroso, que o dependente emocional tem é de ficar remoendo o passado. Olha para as experiências passadas com martírio, melancolia ou aquele contexto do ‘coitadinho da história’. 

Você está fazendo isso errado e sofrendo por que quer. Mesmo que seja extremamente difícil, permitir que esse ciclo de ficar recomendo o passado domine a sua mente é culpa sua. 

Mesmo que tenha existido eventos traumáticos, você precisa lutar pela escolha consciente de enfrentar a realidade no aqui e agora.

E eu sei que quem está em sofrimento ama o discurso do “falar é fácil”. Concordo plenamente que falar é muito mais fácil do que fazer (para a maioria das coisas), mas o que isso muda? A sua vida é responsabilidade sua, e é você que precisará enfrentá-la na prática. 

O passado é um aliado. Ele traz sim a bagagem emocional, que vem com dor, sofrimento e angústia em alguns casos, mas é nele que há todas as informações que você precisa investigar e estudar sobre você mesmo para não cometer os mesmos erros, e principalmente, ser criativo para ajustar uma nova realidade no momento presente.

Recomendo que assista um conteúdo especial no meu canal do youtube sobre o tema ‘traumas psicológicos’. Falei profundamente sobre pessoas que passaram por relacionamentos catastróficos com narcisistas e sofreram todos os tipos de danos.

5º Diga não quando é preciso dizer não

Não importando qual seja a reflexão, a dica, ou a sugestão, você vai chegar no momento do enfrentamento de ter que dizer o ‘não’ na prática. Lá naquele momento em que você se percebe totalmente vulnerável, com medo e apavorado. 

É preciso que a ação exista para que ela possa ser feita de novo, de novo, e de novo. Cada vez que for realizada, o desconforto vai diminuir, e você vai sim se sentir mais confortável em dizer o próximo ‘não’.

Lembre-se que é necessário para o seu próprio bem, mesmo que a sua mente vá buscar todas as racionalizações possíveis para que você evite dizer e se mantenha no falso conforto da dependência.

Diga não quando a ação fizer mal a você ou a qualquer outro ser humano. Seja alguém de luz, com bondade refletida em suas ações práticas e posicionamentos. Essa é a cura.

Apesar de qualquer dificuldade, você tem todas as ferramentas necessárias ou a capacidade de criá-las dentro de você.

Recomendo que você assine a Comunidade Furlaneto, vai te ajudar nesse processo com muito conteúdo de valor e o meu acompanhamento nesses materiais. 

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01 - O que um psicólogo faz?

Julio Furlaneto

Psicólogo
CRP 14/05550-0