CRENÇAS LIMITANTES NOS RELACIONAMENTOS

Você já deve ter ouvido sobre crenças.

As crenças criam os seus resultados de vida, de um jeito ou de outro, interferindo também no seu relacionamento.

Porém, você entende como essas crenças funcionam na prática? Como investigar para saber quais são as suas crenças? Depois de observadas, o que fazer para mudá-las?

Durante esse artigo você vai entender na prática como ajustar essas crenças para viver um relacionamento saudável, inteligente e duradouro.

Eu sei que você já deve ter visto muito conteúdo pela internet, principalmente em redes sociais, de gurus falando sobre crenças de forma genérica, e às vezes, até sem sentido. Nesse artigo te proponho uma abordagem diferente. Um olhar da psicologia aplicada na prática sobre as crenças dos relacionamentos.

O que eu quero dizer é simples. Você irá entender como essas questões funcionam no seu aparelho psíquico, na sua mente, e como repercutem no seu comportamento real, na sua vida do dia a dia.

Para a psicologia, as crenças são as suas ideias e percepções consideradas absolutas e verdadeiras, formadas a partir da visão que você tem de si e do mundo.

Essas crenças são formadas de várias formas. Através da sua educação, das pessoas que você convive, dos eventos passados da sua vida, incluindo os negativos (ou traumáticos), e principalmente, por experiências repetidas como padrão.

Diferente do que você pode imaginar, a crença não existe para limitar a sua vida ou te prejudicar, pelo contrário, é um processo para facilitar sua comunicação consigo mesmo e com o mundo exterior.

Imagine se você tivesse que pensar do extremo zero sobre tudo o que acredita como absoluto sobre algo a todo o momento que fosse se relacionar? Seja no trabalho, com as tarefas básicas diárias da casa, nas relações sociais, ou no próprio relacionamento íntimo? Seria muito complicado.

Ter essa visão completa sobre a simbologia desses eventos otimiza o uso de energia para o seu cérebro e simplifica a vida. Fica mais fácil olhar para você no espelho e saber o que vê e acredita, ao invés de ter que investigar tudo toda vez que pensa.

Também fica mais fácil se relacionar com o outro, sabendo que a pessoa simboliza algo construído e pronto dentro da sua visão de mundo (seguindo suas crenças), para desfrutar da experiência sem exigir a todo momento um alto nível de reflexão e investigação para compreender o significado daquele contato.

Agora, imagine dois pontos fundamentais para você visualizar a profundidade e a importância desse assunto.

1º) As crenças são formadas desde o início das suas primeiras experiências, o que vai envolver os seus primeiros anos de vida, introjetando o modelo que os seus pais, cuidadores e outros adultos que fizeram parte desse período da sua vida manifestaram.

2º) Mesmo sendo criança, grande parte dessa bagagem fica registrada no seu inconsciente. Na prática, isso significa que você pode nem lembrar do que vivenciou lá atrás, mas não determina que não irá interferir na sua vida hoje, no aqui e agora. Segundo a ciência atual, cerca de 83% dos nossos conteúdos mentais são inconscientes. 

Aaron Beck, responsável por desenvolver a Terapia Cognitivo Comportamental para o tratamento da depressão com um método estruturado descreveu muito bem:

Beck sugeriu que essas crenças poderiam ser formadas relativamente cedo na vida e incorporadas em estruturas cognitivas, denominadas esquemas (Beck, 1991).

Beck ainda afirmou que as intervenções terapêuticas deveriam ser voltadas à modificação das interpretações ou predições disfuncionais, bem como das crenças disfuncionais (incorporadas aos esquemas) (Beck, 1976).

Ao definir esquema, Beck (1976) se refere a uma rede estruturada e inter-relacionada de crenças que orientam o indivíduo em suas atitudes e posturas nos mais variados eventos de sua vida. Esquemas são, então, compreendidos como estruturas de cognição com significado.

Outra definição, de acordo com essa, afirma: “Os esquemas, definidos como estruturas cognitivas que organizam e processam as informações que chegam ao indivíduo, são propostos como representações dos padrões de pensamento adquiridos no início do desenvolvimento do indivíduo” (Dobson & Dozois, 2006, p. 26).

Se você não é habituado com a leitura da ciência da psicologia, talvez alguns termos fiquem desconfortáveis (difíceis) de serem compreendidos, mas é importante que entenda a referência científica.

O que isso significa? Não é um achismo, coachismo, ou nada do gênero, mas o funcionamento da sua psique, da sua mente. Um padrão do seu corpo e formato de funcionamento como ser humano, que pode ser compreendido, trabalhado e melhorado para ajustes da sua qualidade de vida e da boa saúde.

Young refere que a maioria dos Esquemas são crenças e sentimentos incondicionais sobre si mesmo em relação ao ambiente, servindo como um modelo para processar a experiência posterior.

As crenças centrais surgem da necessidade do ser humano extrair sentido do seu ambiente desde os estágios mais primitivos do desenvolvimento. Para isso, precisa organizar a sua experiência de maneira coerente para funcionar de forma adaptativa.

Dentro desse modelo você vai observar que existem crenças positivas e crenças negativas, mais conhecidas no âmbito científico como crenças disfuncionais.

As crenças positivas são aquelas que cumprem o seu papel. Geram um modelo de observação e relação com o mundo onde você consegue fluir de forma autêntica, criando resultados positivos, que favorecem a sua integridade, saúde física e mental.

As crenças disfuncionais são aquelas que causam sofrimento físico e/ou mental. São caracterizadas por modos de pensar que te fazem enxergar a realidade com um olhar distorcido, pessimista e autossabotador.

Então vamos agora a dois pontos práticos sobre essa questão das crenças:

1º) Como saber quais são suas crenças disfuncionais?

Vou te passar um exercício muito simples. Você vai começar a observar na sua vida, realidade, prática, dia a dia, quais são os contextos que você tem resultados negativos, advindos de pensamentos distorcidos, pessimistas ou autossabotadores. 

Acredite, é muito fácil encontrar esses pontos de vivências, pois são eles que manifestam os picos de desconfortos que você sente durante o seu dia: tristeza, raiva, angústia, apatia e etc.

2º) O que fazer para mudar?

Também é um exercício simples, mas requer prática e resiliência. 

Lembra que eu te disse que boa parte das vivências que formam as suas crenças estão de fundo, ou seja, na região inconsciente da sua psique?Então! É preciso que você pause a agitação interna por um momento. Se conforte fisicamente, isole os estímulos possíveis exteriores que causam distrações, e se permita descrever as vivências que estão causando o desconforto.

 

Ao fazer essa descrição (mentalmente) você vai buscar se enfrentar em um dialeto de você com a sua própria consciência, questionando porque sente isso, ou faz aquilo, buscando encontrar de onde vem essa resposta.

O inconsciente para ser explorado a nível consciente precisa ser investigado por um desejo claro, com atenção e intencionalidade. 

Esse processo precisa ser repetido dia após dia. A cada dia a sua capacidade de aprofundar em entendimento sobre o que existe de bagagem no fundo das suas crenças irá se manifestar com mais volume e clareza.

Ao serem manifestados, podem ser ressignificados.

Como não é uma prática fácil para aquele que nunca trabalhou com isso, ou até, nem sabia que existia Esquemas, crenças e inconsciente, eu fiz um conteúdo em vídeo, uma aula completa para te ajudar em um passo a passo.

Essa aula está disponível na Comunidade Furlaneto.

Comunidade Furlaneto é um Portal completo para que você desenvolva três pilares fundamentais na sua vida:

  • Autoconhecimento
  • Relacionamentos Saudáveis
  • Saúde Mental
01 - O que um psicólogo faz?

Julio Furlaneto

Psicólogo
CRP 14/05550-0